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O cenário da Consultoria no Brasil!

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Acompanhe a entrevista exclusiva com Cristian Welsh Miguens, CMC e Vice Presidente do IBCO (Instituto Brasileiro dos Consultores de Organização), que discorre sobre o panorama atual do mercado de consultoria em nosso país e enfatiza que as empresas devem saber contratar consultorias profissionais para melhor retorno em seus investimentos.

Gauss: O IBCO é um instituto renomado, com grande credibilidade no mercado de consultoria e está presente no país há 40 anos. O que explica essa presença de tanto tempo e com esse reconhecimento? 

CWM: O IBCO é uma instituição de renome e credibilidade até os dias de hoje em virtude da clareza de objetivos, isenção e dedicação dos seus dirigentes ao longo dos anos e a sua proposta condizente com a sua postura ética em relação à atividade de Consultoria de Organização. 

Gauss: O termo consultor atualmente é aplicado por diversos profissionais do mercado. Porém, há uma lacuna entre a profissionalização desse mercado e sua atuação empírica. De que forma avalia esse cenário e como as empresas devem se conscientizar sobre a importância de buscar consultores e empresas de consultoria especializadas para retorno sobre o investimento nas contratações de projetos? 

CWM: Para tentarmos resolver este desafio, o IBCO está adotando o termo “Consultor de Organização Profissional”. Trata-se do Consultor de Organização que assume a sua atividade como uma profissão, que procura seu autodesenvolvimento tanto nas técnicas mais modernas de gestão e administração, quanto nas técnicas e competências em consultoria de organização e que adota o Código de Ética e de Conduta da associação profissional que reúne Os Consultores de Organização. Este conceito é reforçado pelo de Consultor de Organização Certificado (CMC – Certified Management Consultant), que é o Consultor de Organização Profissional que atende os requisitos de caráter, qualificações, experiência, competência e independência de critérios estabelecidos pela associação profissional que entrega a certificação. 

Gauss: Segundo dados do IBCO (Instituto Brasileiro dos Consultores de Organização), o Brasil responde por cerca de 0,4% do mercado mundial de consultoria. A América Latina toda responde por 2% (dados de 2000). Em relação ao mercado mundial, esse número representa muito pouco em nosso país. Os cursos de capacitação específicos a esta especialidade são incipientes e pouco valorizados pelo mercado. O que as consultorias, alinhadas ao IBCO, podem fazer para trazer melhorias nesse setor?

CWM: Nas sociedades latinas existe pouca cultura empresarial na contratação de serviços de consultoria. Soma-se a este fato a falta de confiança dos empresários Brasileiros nos resultados e benefícios a serem obtidos como resultado de um processo de consultoria organizacional, geralmente em virtude de experiências insatisfatórias, próprias ou conhecidas.

A falta de profissionalização da atividade, ou seja, a falta de consciência por quem se inicia na atividade de que é necessário desenvolver competências específicas para exercer esta atividade de forma profissional, é a principal causa desta realidade e seus responsáveis são tanto de quem contrata quanto de quem se aventura sem o preparo suficiente.

O IBCO tem há mais de dez anos como orientação estratégica das suas atividades duas medidas objetivas: a primeira é a de melhorar a sua própria divulgação como meio de dar mais destaque e chamar a atenção dos empresários sobre as qualidades de um Consultor de Organização Profissional e dos princípios já enumerados; a segunda é a de contribuir de todas as formas possíveis na formação de Consultores Profissionais. Para tanto, administra a certificação CMC e montou o Curso de Capacitação em Consultoria, ministrado nas principais cidades do Brasil. 

Gauss: O IBCO também aponta que 3,6% dos clientes de consultoria utilizam o critério “formação dos consultores” como requisito de contratação. Já estão disponíveis no Brasil os primeiros MBAs de Consultoria. O que as empresas que buscam bons projetos precisam pesquisar nas consultorias antes de contratar? 

CWM: As sugestões estão implícitas nas respostas anteriores. Procure verificar se quem está oferecendo os seus serviços como Consultor de Organização é de fato um Consultor Profissional. A certificação CMC é uma das formas de ter uma garantia neste sentido. Outras atitudes a tomar podem ser encontradas no site do IBCO no endereço http://www.ibco.org.br/conteudo.asp?cod_conteudo=19, ou clicando no “botão” Consultoria na página principal do mesmo: http://www.ibco.org.br. 

Gauss: Em sua opinião, quais as principais deficiências encontradas nas companhias em seus processos de contratação de consultoria projetos? 

CWM: A questão fundamental é saber se o cliente fez tudo para tentar resolver internamente pesquisando se tem efetivamente os recursos e os conhecimentos necessários para tanto, dentro da companhia. Só então é que deve procurar um consultor ou consultoria. Então o problema é como contratar o consultor, qual a percepção do trabalho que ele executará e qual o papel que cabe a cada um, cliente e consultor, no processo. Falta em geral a consciência que o cliente deve participar constantemente do processo e que ele é quem toma as decisões. Cabe ao consultor aconselhar e acompanhar. Deixar tudo nas mãos do consultor leva a situações indesejáveis e que em última análise, em geral, geram a insatisfação com o seu trabalho. Os clientes também devem aprender a contratar consultoria. 

Gauss: Por que a importância de ser associado ao IBCO e, em seu ponto de vista, quais os selos importantes para qualificar os trabalhos de uma consultoria? 

CWM: O IBCO pesquisa cada candidato antes de sua filiação efetiva por meio de consulta aos seus clientes mais recentes e analisando toda a documentação pessoal e eventualmente da empresa de consultoria (curriculum, certificado de curso universitário, contrato social, artigos escritos etc.). Na certificação CMC, o processo inclui examinar pessoalmente o candidato e a sua atuação profissional por uma banca examinadora composta por dois ou três Consultores CMC’s. Ou seja, o IBCO referencia para o mercado a atuação dos consultores em termos de experiência, competências e conduta ética. Cabe lembrar que o IBCO possui um Conselho de Ética que pode ser acionado por clientes que se considerem prejudicados pelo comportamento ético do Consultor filiado, sendo mais uma ferramenta de apoio e garantia ao exercício responsável e profissional desta atividade. 

Gauss: O IBCO é membro do ICMCI (International Council of Management Consulting Institutes) e está entre os 40 Institutos mundiais afiliados. Qual a relevância de estar presente nesse processo e como as consultorias associadas ao Instituto podem se beneficiar dessa relação? 

CWM: A importância para o associado do IBCO é a de ter à sua disposição um networking de mais de 10.000 consultores filiados aos institutos membros do ICMCI. Ser um CMC facilita o reconhecimento recíproco das competências específicas em consultoria em qualquer lugar do mundo, tanto para clientes externos como para consultores. Prova disso são as constantes consultas e oferecimento de oportunidades de trabalho tanto no Brasil, como no exterior que são encaminhadas aos associados através do IBCO. 

Gauss: A certificação CMC (Certified Management Consultant) reconhece a excelência em gestão entre consultores, alinhados às normas de competências, ética e independência. No Brasil, há poucos profissionais com esse título, entre eles, Orlando Pavani Junior, CEO da Gauss. Em sua avaliação, o fato de obter essa certificação qualifica as metodologias de um consultor em qual nível? 

CWM: A certificação CMC visa garantir que o Consultor comprovou possuir as qualificações mínimas e universalmente aceitas para o exercício da Consultoria de Organização de forma profissional. 

Gauss: O IBCO busca legitimar a atividade de Consultoria Organizacional no Brasil. Podemos considerar que o Instituto é o mais reconhecido órgão que comprova a qualidade dos projetos de consultoria de empresas associadas no país? 

CWM: Sem dúvida os associados ao IBCO são Consultores de Organização profissionais e como tais, executam projetos de consultoria em conformidade com todas as práticas recomendadas para o exercício da profissão e, portanto, são projetos de qualidade. Isto não desqualifica outros Consultores, entretanto, os clientes de consultoria terão o nome do consultor ou consultoria filiado ao IBCO, referenciado por todo o processo de filiação e certificação a que são submetidos. 

Gauss: A indicação é um fator muito presente no processo de contratação de trabalhos em consultorias. Dados do IBCO demonstram que 82% das organizações contratam com esse critério. Com uma regulação e credenciamento, esse panorama pode mudar? Ou seja, as companhias irão avaliar as contratações com foco nas qualificações? 

CWM: Em muitos casos, a referência é confundida com garantia de qualificação do Consultor. Muitos empresários devem estar arrependidos dos Consultores que contrataram desta forma, sem aprofundar-se em outras referências e formas de avaliação da atuação passada do mesmo.

Como em outras profissões, a relação cliente-consultor baseia-se na confiança mútua. Neste sentido, a referência continuará a ser preponderante nas contratações de consultores e consultorias. Entretanto, há novos critérios objetivos (a certificação CMC) e uma instituição (o IBCO), capaz de auxiliar a fazer a escolha mais adequada com base na experiência, qualificações técnicas e de consultoria de organização de cada candidato. 

Gauss: Em suma, uma organização não pode ter desempenho inferior ao que podemos chamar de excelente pelas lacunas em sua gestão. Qual dica você, como especialista nessa área, deixa para as organizações que realmente buscam, incessantemente, além do ROI, a qualidade na prestação de seus serviços aos clientes? 

CWM: Na era do conhecimento é muito difícil acessar e possuir internamente todos os conhecimentos necessários em um determinado momento. Na verdade, poucas organizações estão até devidamente preparadas para desempenhar-se neste novo ambiente de negócios. Por formação e experiência e até pela imposição própria da atividade, o Consultor de Organização profissional deve estar preparado para pesquisar, avaliar e recomendar os melhores caminhos e técnicas a seguir diante de alguns problemas para os quais as organizações sentem dificuldade em resolver. A indústria da Consultoria tem um papel a desempenhar no crescimento econômico e na qualidade da gestão das companhias Brasileiras. O IBCO busca, através das suas ações, servir de catalizador e orientador de um processo que beneficia todos os envolvidos e que deve finalmente se refletir em benefício da sociedade.

Cristian Welsh Miguens, CMC e Vice Presidente do IBCO (Instituto Brasileiro dos Consultores de Organização).

Publicado site Gauss consulting..